Bleach: Rebirth of Souls resgata o legado da franquia com ambição
Após 14 anos, a franquia Bleach ressurge com “Bleach: Rebirth of Souls”, jogo de luta baseado no anime clássico. A nova adaptação chega com a proposta de recontar toda a história de Ichigo Kurosaki, desde os primeiros confrontos contra os Hollows até os duelos mais intensos contra os Arrancar. O lançamento tenta preencher uma lacuna que incomodava os fãs há mais de uma década: a ausência de um jogo completo, coeso e digno da grandiosidade do universo criado por Tite Kubo.
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A expectativa era alta, impulsionada pelo sucesso do novo anime e pela promessa de uma experiência rica, voltada tanto para iniciantes quanto para veteranos. Em boa parte, o jogo entrega o que promete. Mas tropeça em aspectos importantes, como ritmo do combate, limitações técnicas e decisões de design que afetam diretamente a longevidade da jogatina.

Um modo história denso e detalhado
O principal trunfo de Bleach: Rebirth of Souls é seu modo história. O jogo se propõe a adaptar os arcos principais do mangá e do anime em uma linha do tempo bem organizada, começando pela saga do Substituto e seguindo até o clímax da fase dos Arrancar. Essa escolha narrativa é rara em jogos de anime, que normalmente fracionam os arcos em lançamentos separados.
As cutscenes, embora longas, são bem construídas e conseguem transmitir a dramaticidade dos momentos-chave. Algumas chegam a lembrar episódios inteiros do anime. Outras usam um estilo visual que remete diretamente ao mangá, com painéis sequenciais coloridos. A combinação ajuda a aprofundar a narrativa, especialmente nas missões voltadas a personagens secundários, como Chad, Orihime e Uryu.
Além disso, o jogo apresenta o modo “história secreta”, desbloqueado conforme o jogador cumpre objetivos extras. Essas fases paralelas revelam momentos inéditos ou pouco explorados da trama, ampliando o envolvimento com o universo de Bleach.
Combate estratégico, mas com ritmo quebrado
O sistema de luta de Rebirth of Souls apresenta mecânicas interessantes que fogem do convencional. A barra de vida, chamada Konpaku, só é reduzida por meio de técnicas específicas chamadas Kikon, que devem ser ativadas no momento certo, quando a interface exibe os avisos Soul Breaker ou Now or Never. Essa dinâmica exige atenção constante ao fluxo da batalha.
Cada personagem possui habilidades únicas, com variações importantes entre Shikai, Bankai ou Resurrección. O uso da barra de Espírito de Luta permite ativar esses modos especiais, que aumentam o impacto dos golpes e mudam o ritmo do confronto.
O problema está na repetição. A obrigatoriedade de executar os Kikon como finalização, sempre com os mesmos gatilhos, compromete a diversidade das lutas. Mesmo com uma boa variedade de personagens, os combates tendem a seguir o mes

Apresentação visual de impacto com identidade própria
Se há um elemento em que Bleach: Rebirth of Souls realmente se destaca, é o visual. O estilo artístico dos menus, a estética dos efeitos e a direção de arte geral transmitem a essência da série. Cada Bankai, cada especial “supremo”, cada movimentação em tela é carregada de personalidade.
Durante os combates, as animações são fluidas e os efeitos de partículas impressionam. Os narradores surgem com frases icônicas na tela, acompanhados de trilhas que evocam o clima dos episódios mais intensos. O visual é, sem dúvida, um dos pontos fortes do título.
No entanto, a versão para PC sofre com problemas técnicos que comprometem essa qualidade. Quedas de resolução, texturas ausentes e falhas de carregamento visual afetam a imersão. Em alguns momentos, a resolução cai abaixo dos 720p, mesmo em máquinas potentes ou rodando em um PlayStation 5.
Conteúdo offline extenso, mas online decepciona
Para quem busca conteúdo além da história principal, o jogo oferece boas alternativas. O modo Missões, dividido em três níveis de dificuldade, funciona como um modo arcade. A cada desafio superado, o jogador é recompensado com Pontos de Alma, usados para desbloquear itens cosméticos e melhorias nos personagens.
O elenco de lutadores é generoso. São 32 personagens jogáveis, com a possibilidade de desbloquear um adicional secreto. Combinações específicas entre eles liberam diálogos exclusivos antes dos combates, adicionando valor aos confrontos entre rivais como Byakuya e Rukia ou Yoruichi e Soi Fon.
Já o modo online decepciona. Sem crossplay, sem partidas ranqueadas e com apenas dois modos disponíveis (livre e salas personalizadas), a experiência multiplayer fica aquém do esperado. Para jogadores que valorizam o competitivo, essa limitação representa uma oportunidade desperdiçada.

A versão de PC está quebrada
Embora o foco do jogo esteja nos consoles, a versão para PC via Steam chegou ao mercado em estado crítico. Jogadores relatam que o jogo fecha sozinho com frequência, além de apresentar bugs graves de áudio, travamentos e ausência de texturas. A situação é tão grave que, das mais de 2.300 análises no Steam, mais de 60% são negativas.
Até o momento, nem a desenvolvedora Tamsoft Corporation nem a Bandai Namco lançaram correções. A comunidade tenta contornar os erros por conta própria, mas sem suporte oficial, a frustração é generalizada. Quem optou por jogar no PC precisa ter paciência ou aguardar futuras atualizações.
Faltou alcançar o ápice narrativo da franquia
Um ponto que incomodou parte da base de fãs foi o recorte da narrativa. Embora os arcos apresentados sejam bem construídos, o jogo encerra sua história no fim da saga dos Arrancar. Para muitos, era esperado que o conteúdo avançasse até o início da Guerra Sangrenta dos Mil Anos, arco mais recente e de grande impacto emocional no anime.
Essa decisão limita o escopo do jogo. Ainda que seja possível adicionar novos conteúdos via atualização ou DLC, a ausência do desfecho final compromete a sensação de completude.
Bleach de volta, mas não ainda em sua forma final
Bleach: Rebirth of Souls representa uma tentativa sincera de devolver relevância à franquia no universo dos games. O jogo acerta ao recontar a história com cuidado, oferecendo conteúdo denso, visuais marcantes e um combate que busca se diferenciar. Para os fãs, há momentos de pura nostalgia e emoção legítima.
Por outro lado, as falhas são visíveis. A repetição nas lutas, o modo online fraco e a versão de PC praticamente injogável mancham o que poderia ser um retorno épico. Falta lapidação, ajustes e, sobretudo, suporte técnico.
Mesmo assim, para quem esperou mais de uma década por um novo jogo de Bleach, há motivos para comemorar. O alicerce está posto. Com correções e aprimoramentos, este pode ser o primeiro passo para uma nova fase de respeito à altura do que a franquia representa.